sábado, 23 de janeiro de 2016

Capital Inicial, o Aerosmith brasileiro


"Bizz - Renato, por que a Legião não vai tocar no Roliudi Rock?
Renato Russo - Uê? Pra essas coisas simples tem o Capital Inicial."

O Capital Inicial foi a quarta banda de Brasília (Paralamas, Legião, Plebe) a ganhar notoriedade no cenário musical.
Há 30 anos foi lançado o primeiro LP da banda. Bom, mas não chega a ser um marco, apenas uma comemoração. O disco é nota 6,9 (Pô, quase 7). Dinho (vocal e piano: para fins nada musicais), Loro (guitarra), Fê (bateria) e Flávio (baixo) já estrearam com música (Música Urbana) na novela das oitos (Roda de Fogo) e venderam quase 400 mil cópias do primeiro LP.
Bozo Barreti e os produtores não entenderam o sucesso.Eles culparam a justiça do mundo: "Esse mundo é injusto, esses caras não tocam nada e fazem sucesso".
Eu, particularmente, acho o vocal do Dinho muito "forçado" e sem muita inspiração. Ele disse anos depois: "A única coisa que lembro das gravações do nosso primeiro disco é da 'farinha'. Cheirávamos na cauda de um piano que tinha no estúdio."
O disco teve censura! A música "Veraneio Vascaína" só podia ser ouvida por maiores de 18 anos. Tudo que é proibido atrai. É igual revista Playboy só tem grança de ver dos 13 aos 16 anos, depois perde a graça.
Bom o "negócio" do "Capital" era "dinheiro"! (Capitalismo Selvagem no trocadilho). Eles eram totalmente anti-Rede Globo, mas essa ideologia não os impediram de tocar (playbackar) no "Cassino do Chacrinha" e no "Globo de Ouro".
Se a Som Livre tivesse ouvido o LP todo, não colocaria "Música Urbana" na trilha de Roda de Fogo. Na música 3, "Psicopata", está escrito:
"...Sempre assisto à rede Globo
Com uma arma na mão 
Se aparece o Francisco Cuoco
Adeus televisão..."

No segundo LP, eles tiveram que acrescentar o Bozo Barreti (tecladista e pianista) ao grupo. O Dinho não estava usando o piano como manda o figurino... Brincadeira! Foram ordens da gravadora. "Devemos colocar um músico para dar experiência e qualidade ao grupo."
Para mim, esse LP, o Independência (1987) e o acústico (2000) são os melhores lançamentos da banda.
Hoje não os ouço... Putz! Copiaram a fórmula Aerosmith de fazer música. Bandas têm que amadurecer junto com o artista. Essa mania do Dinho querer bancar o garotão, o descolada da galera... Fazer música de adolescente, aos 51 anos é infantilidade...
O capital inicial tem um público bem eclético. Fãs dazantigas e molequinhos de Ensino Médio. Dinho Ouro-Preto, hoje, também, vive de falar mal do U2 e ser subserviente ao finado Renato Russo.



sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Será que eu fui o único que não curtiu Mamonas?



Um belo dia para não ser babaca...
Advogado: Roberto Leal?
Roberto Leal: Sim.
Advogado: Gostaria de saber se o senhor gostaria de mover uma ação contra os Mamonas Assassinas. Eles estão satirizando uma música sua!
Roberto Leal: Não! Se não fosse eles, eu não teria retornado à Mídia!

No mundo da música, há vários artistas que, para mim, “não fede nem cheira”: Rolling Stones, Nirvana, Gun’s, Jota Quest, Zé Ramalho...
Uma das grandes febres dos anos 1990’s eu não peguei. Na época do estouro dos Meninos de Guarulhos, eu simplesmente ignorei. Algumas palavras que eles cantavam, eu sequer tinha coragem de falar na frente da minha mãe.
Não eles, mas em 1995/1996, vieram artistas irrelevantes para as FM’s, como o É o Tchan (e as cópias), o Negritude Jr. (e as cópias) e os MC’s do Rap Brasil. Não tive/tenho nada contra pessoas que os ouviam, mas nessa época, eu era adolescente e estava interessado em outros sons e tinha outras preocupações (hormônios em fúria + pais incompreensivos + paixões por garotas e às vezes por professoras gostosonas).
Ninguém no Brasil alcançará o que os Mamonas alcançaram! Lembro que, por toda rua por onde eu passava para ir a qualquer lugar, praticamente todas as casas estavam com os rádios ligados nas alturas ao som do Dinho & Cia! Na escola, no ônibus, na padaria, na Igreja... Só falavam nos caras!
O sucesso deles era visível... Sem o jabá da gravadora eram executados exaustivamente pelas AM’s e FM’s Brasil afora, bombaram audiências de programas de auditório, seis shows por semana, às vezes três ou dois por dias - venderam mais de dois milhões de cópias de Discos... Todas as 14 músicas que lançaram foram cantadas sílaba por sílaba, por crianças e adolescentes. Viveram dias de Beatles!
Eles fizeram sucesso no momento certo, na época certa! Hoje, a maioria das pessoas que choraram mil rios de lágrimas pela perda dos Mamonas, viraram os “Embaixadores da Correção Política”. A caretice reina na sociedade atual... Conseguimos achar preconceitos, discriminações nas instruções de montagens de brinquedos do Kinder Ovo à Bíblia. Tudo é motivo de processo!
Anos atrás eu pensei: Caramba, o último Fenômeno da Música Brasileira passou e eu não curti!
Assim como o Raul Seixas, o “Canto do Cisne” dos Mamonas foi aqui em Brasília. O último show deles foi no Mané Garrincha.
Que as próximas gerações sejam mais Mamonas e menos Bousonaros, Gians Uilis, Sacomotos, Aécios, Lulas...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Eita Homem bom


A primeira vez que eu vi pessoalmente o Cristovam Buarque foi no banheiro da Faculdade de Educação 5 - UnB, em 2007. Eu estava em um mictório e ele chegou para se aliviar... Eu todo de jeans e camiseta, e aparece um senhor de terno... Olhei, era ele. Eu falei com ele. Super gente boa, foi bem atencioso.
Nesse dia, ele estava em uma palestra com o ex-Ministro da Educação e finado Paulo Renato, no auditório Dois Candangos. De repente surge um movimento, organizado pelo CA de Pedagogia, convidando os estudantes para protestar contra o Paulo Renato. Eu não fui, mas ouvia os berros: "Paulo Renato, ladrão, inimigo da Educação." Os professores suspenderam as aulas. Quando eu estava saindo do prédio, vi o Cristovam sendo solidário ao Paulo Renato. Ele deixou a palestra antes do fim e o Cristovam o acompanhou e foram embora.
Bom, quero falar do Cristovam governador!
Em 1994, ele disputou as eleições para o Governo do Distrito Federal (GDF). Outros candidatos eram: Valmir Campelo (afilhado do Roriz), Maria de Lourdes Abadia (Rainha da Ceilândia) e outros que não lembro...
A Rainha da Ceilândia ficou indignada com o Roriz. Ela, sempre fiel aos "programas" de Roriz, não teve o apoio que precisava nessa eleição. Roriz preferiu o então senador do DF, Valmir Campelo. Ela ficou em terceiro lugar, com boa votação. Valmir e Cristovam foram para o 2º Turno.
No segundo turno, A Abadia serviu aquele prato que só se serve frio. Apoiou Cristovam! E ele venceu! Muitos eleitores da Abadia votaram nele. O voto, em 1994, era em cédulas e a contagem demorou alguns dias. A Dona Lourdes ganhou, de brinde, em 1995, a Secretaria de Turismo do Distrito federal.
Começa a era Cristovam (1995-1998). Cito dois bons programas.
Bolsa Escola: para as mães carentes que tinham filhos em idade escolar.
Saúde em Casa: médicos e enfermeiros atendiam em residências alugadas pelo GDF. Muitas ruas do DF contavam com esse serviço.

Algumas obras importantes:
A iluminação da Estrada Parque de Ceilândia.
Reformou a Rodoviária do Plano Piloto.
E asfaltou várias ruas da Ceilândia, inclusive a minha! Falou em asfalto para pobre, era festa!

Alguns deslizes:
Mudou a cor do slogan do BRB para vermelho. De 1964 até ontem, está azul, foi vermelho só no Governo Cristovam.
Leonardo Pareja (Se você não conhece a história desse cara, procure e se surpreenderá.), um dos bandidos mais descolados dos anos 1990’s, disse: “estou indo para Brasília. Nesse país melhor lugar não há...” Cristovam disse: "Aqui, ele não entra!" E fechou todas as “fronteiras” do Distrito Federal com a Polícia, o Bope e o escambau a quatro. Nesse dia, houve trocas de tiros da polícia com bandidos e um inocente foi vítima de bala perdida.
Em 1996 e 1998, fui prejudicado com duas greves de professores. Nesses anos, os professores paralisaram por quase quatro meses.
Tentou desocupar uma invasão, da área que hoje é a Região Administrativa da Estrutural, perto das Eleições de 1998... Pronto! Ganhou vários inimigos e presenteou, indiretamente, seus adversários políticos com eleitores dessa região.
Cristovam tentou a reeleição em 1998. Não ganhou. Segundo ele, “perdi porque não menti!” O vencedor foi Joaquim Roriz! Este não cumpriu quase nenhuma promessa de campanha feita!
Tenho muito apreço, estima e carinho pelo Cristovam! Desde quando tirei meu título de eleitor, voto nele! Até hoje canto o jingle de campanha dele. "Eita homem bom, vai governar com você no coração... Quem vê Cristovam, vê coração... Brasília vai mudar (vai sim) Com a frente popular (enfim). Com Cristovam no governo, nossa estrela vai brilhar no Distrito Federal!"
Ele é um dos personagens que marcaram a minha adolescência.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Barreira Humana para a Rainha dos Baixinhos


Sílvio Santos é mito! Quando ele começou a comandar o "Domingo no Parque", programa infantil, já contava com uma assistente de palco, a bela Marriete. A função dela era controlar o impeto e a bagunça da criançada; e deixar o Senor Abravanel livre de chateações com as crianças... Só bastava um "vai pra lá, oê" e uma piscada para a assistente, a ordem estava restabelecida no palco.
Quando a Xuxa foi para a Globo, em 1986, foi "vacina". No Clube da Criança, programa de sua emissora anterior, era difícil controlar as crianças sozinha no palco. Ela precisava de "alguém" para ajudá-la.
Bem, já na estréia do programa Xou da Xuxa, que era gravado no estúdio localizado na Rua Saturnino de Brito, 74 - Jardim Botânico - CEP 22.470 - Rio de Janeiro; as Paquitas já estavam lá.
Elas formavam uma verdadeira barreira humana, vestidas com fardinhas azul ou vermelha e shortinho branco e dizendo duas palavras para a pirralhada: "para trás, para trás".
Barreira como essa foi usada em outros programas infantis, apresentados pela Angélica (uma das Angeliquetes foi a atriz Giovanna Antonelli) e pela Mara Maravilha (Trio Maravilha).
Eu sei que várias moças foram Paquitas. Todas eram lindas, brancas caucasianas, look loiro com franjinha e belas dançarinas.
Por isso que é difícil saber quem é/foi a Xiquita, a Pituxa, a Catuxa, a Miuxa, a Catuxita, a Xiquita... E só Deus sabe quantas cadelas foram batizadas com algum desses nomes Brasil afora.

A Som Livre e a fábrica de hits Michael Sullivan e Paula Massadas viram outra serventia para as assistentes da Xuxa, além de espantar crianças da beira do palco. Gravaram com as garotas um LP que vendeu mais de 800 mil cópias... "É tão bom, bom, bom, bom, Quem quer pão, pão, pão..."
Para terminar, descobri via google, anos atrás: a Letícia Spiller foi a Pituxa. Depois Babaloo (Quatro por Quatro), Maria Regina (Suave Veneno), Viviane ( Senhora do Destino)... Um dia cobrarei o tal pão que ela oferecia "pela televisão".