segunda-feira, 7 de março de 2016

RPM: 30 anos do estouro - parte final



O RPM começou a despencar quando iniciou a briga de egos entre Paulo Ricardo e Luiz Schiavon. O Luiz fazia tudo pelo grupo, mas quem ia para as capas das revistas era o Paulo Ricardo. O auge era estrondoso que tiveram até um especial do Globo Repórter só para eles.



No showbizz, o público sempre foca a sua atenção no vocalista e no guitarrista. Qualquer outro instrumentista é apenas um mero coadjuvante no grupo. E o Luiz, tecladista, não aceitava isso. Vamos combinar? O estilo rapaz-que-toda-mãe-quer-como-genro do Paulo Ricardo é bem melhor que o do Schiavon. Ainda hoje, o Paulo Ricardo ostenta o seu sex appeal. É envelhecido, porém impecável.
Eles foram alertados, várias vezes, que essas brigas acabaria com o RPM. 
Em 1988, lançaram um LP sem a mesma vida do anterior: “Quatro Coiotes”. A arrogância do grupo contribuiu para o fim. Diante da fartura, dispensavam até trilhas sonora de novelas da Globo. Eles não queriam que as músicas deles estivessem relacionadas a personagens da ficção. Dentre outras situações de soberba o LP vendeu quase 1/10 do que vendeu o “Rádio Pirata”.


Com a convivência, dentro da banda, forçada, ninguém se entendia mais. Luiz Schiavon, para piorar as relações dentro da banda, foi à gravadora CBS solicitar um disco solo. Isso soou mal dentro do grupo. Os outros três ficaram irados com essa situação e acabaram com a banda.
Desde então, eles continuaram trabalhando no cenário musical. Ensaiaram uma volta em 2002. Porém, eles viram caricaturas deles mesmos.
Se entenderam novamente em 2014, estão desde esse ano comemorando os 30 anos do RPM...
Que cascata, viu! Velho, já deu! RPM para mim é de 1984-1989. 
Eu quero ter uma boa imagem deles, mas eles fazem tudo para manchá-la!




 Sobre o RPM: O Globo Repórter de 1986 (clique aqui) e o Por toda a minha vida de 2010(clique aqui)

domingo, 6 de março de 2016

RPM: 30 anos do estouro - parte III


Contra as regras do mercado fonográfico, Paulo Ricardo & cia, surpresos com o sucesso "pirateado" da "London, London", gravaram no Anhembi o primeiro disco ao vivo do RPM.
Convidaram Marco Mazzola para ser o produtor. Bem, o disco tem uma sonoridade tão limpinha que parece ter sido gravado em estúdio.
Por onde o RPM ia, causava alvoroços. No áudio do LP quase não se ouve frissons, gritos estéricos, choros nervosos do público feminino. Meninas se acotovelavam, nas apresentações do RPM, para ver o Paulo Ricardo e, geralmente, precisavam de atendimento médico, pois desmaiavam.
Em 1986, a banda lança o "Rádio Pirata - ao vivo". Não sei se foi jogada de marketing. O RPM, nessa época, tinha um grande hit: Rádio Pirata. Várias rádios pirateavam músicas deles, gravando-as durante os shows da banda e disponibilizando-as nas FM's. Se foi um mero trocadilho, foi bem articulado.
O LP/K7 foi composto por grandes sucessos da banda e três músicas inéditas: "Flores Astrais" dos Secos e Molhados, a instrumental "Naja" e a arrasa quarteirão "Alvorada Voraz".
Em 1986, o cenário econômico demandava austeridade (Alguma semelhança com 2015/2016?). Essa situação não impediu de esse LP ser o mais vendido da história fonográfica brasileira. Para mim, isso não é "juris et de jure". Há controvérsias. Há quem diga que o disco vendeu 2,5 milhões de cópias; 3,5 milhões; 4 milhões.
A Xuxa, por exemplo, oficialmente, vendeu mais 3 milhões de cópias do "Terxeiro Xou da Xuxa". O fato é: o RPM é a única banda nacional que vendeu mais de 2,5 milhões de cópias de um disco.
Esse fato causou desconforto em uma certa banda de Brasília: Legião Urbana. Eles estavam se preparando para lançar um LP duplo e veio a fatídica notícia da indústria fonográfica: Não tem onde (gráficas) e nem material (vinil e fitas cromos) para fazer esse projeto.
O mercado fonográfico estava sob o RPM. O "Rádio Pirata" teve que ser prensado aqui e até na Argentina. O LP vendia como água e os fãs do RPM se multiplicavam como coelhos.
Isso não seria problema atualmente. Hoje são poucas as pessoas que compram LP/CD. Para muitos, música virou arquivo de computador, celular e pen-drive.
Para mim, não ter esse LP duplo da Legião foi bom. A banda lançou o "Dois" em 1986 e as músicas que não puderam ser lançadas nesse LP, foram lançadas em 1987 no LP "Que país é este". O sucesso de "Faroeste Caboclo" seria ofuscado pelas músicas do Paulo Ricardo (ops!) do RPM, com certeza.
O assustador sucesso desse disco ao vivo do RPM causou vários atritos entre o Paulo Ricardo e o Luiz Schiavon. O Tecladista era o faz-tudo da banda, porém a mídia queria o rosto e o corpo do vocalista/baixista. Caetano Veloso amava os ombros do Paulo Ricardo.
(Continua)


sábado, 5 de março de 2016

RPM: 30 anos do estouro - parte II

Quando o RPM contratou o Ney Matogrosso para ser o diretor artístico da banda, a imagem do quarteto mudou. Foi curto e grosso: “Isso o que estão fazendo não é show, é execução de músicas ao vivo!”, “Vocês não preparam de forma coerente a programação das músicas.”; “Precisam de músicas mais lentas”.
O primeiro LP deles foi lançado em 1985. Para show, o repertório artístico era limitado: 11 músicas. Bancavam covers do Pink Floyd, do David Bowie e do The Doors para dar liga às apresentações.
Paulo Ricardo, Luís Schiavon, Fernando Deluque e o PA seguiram todas as instruções do Ney. E colocaram no Repertório a “London, London” do Caetano Veloso.
Antes de formar o RPM, Paulo Ricardo era crítico musical da editora SomTrês e trabalhava em Londres. Ele se identificava com a letra da música. Ela o fazia lembrar o tempo em que trabalhava na terra da Rainha.
As apresentações do RPM, dirigidas por Ney Matogrosso, deram o que falar. "Locutores de rádio" portando walkmans gravavam as músicas inéditas da banda e as executavam nas rádios. Isso fez com que a “London, London” ficasse conhecida e em primeiro lugar nas paradas. Daí vem uma situação inusitada na história da música mundial. Ter uma música em 1º lugar, mas não havia gravação oficial em LP/K7!
A música “London. London” do RPM faz eu recordar as tardes em que eu ficava sozinho em casa com a minha mãe. Minha irmã ia para a escola e eu, fora da idade escolar, tinha que brincar sozinho na garagem da minha casa. Indiretamente ouvia “London, London”. Sempre havia um vizinho que ouvia essa música do RPM com o volume nas alturas.
Com jabá, as rádios executam 30 vezes por semana uma música na frequência FM. Sem o Jabá, a "London, London" passava das 70 execuções semanais. Como moneytizar isso? Gravar um LP ao vivo. Até então ninguém na história da música havia gravado um LP ao vivo após o LP de estréia...
Continua

sexta-feira, 4 de março de 2016

RPM: 30 anos do estouro - parte I

Impossível falar de Rock Nacional sem mencionar o RPM. O álbum de estréia "Revoluções por minuto", de 1985, é um dos clássicos, não só do Rock, da música brasileira.
Nessa época, o RPM era composto por: Paulo Ricardo (voz/baixo), Luiz Schiavon (teclados) e Fernando Deluqui. (guitarra). No início da turnê do LP, foi integrado ao grupo o baterista Paulo Antônio Pagni, o PA.
A água de Brasília era abençoada para quem queria viver fazendo Rock. O Paulo Ricardo morou uns dois ou três anos na 209 sul, nos anos 1970's.
O RPM foi uma das bandas que me levaram a curtir Rock. No ano do estouro da banda, em 1986, eu tinha 6 anos. Cansei de vê-los no Globo de Ouro, Cassino do Chacrinha, Clube do Bolinha, Perdidos na Noite... E o estilo deles me encantava. A minha mania de tocar "guitarras imaginárias" ouvindo música começou quando eu os via na TV.
Eles, nos últimos 25 anos, fazem de tudo para estragar a boa imagem que tenho deles. Estão tatuados na minha memória afetiva, não dá para esquecê-los e ignorá-los.
Ainda fico arrepiado quando ouço a "Rádio Pirata" e amo gritar o refrão: "Toquem o meu coração...". Demorei anos para entender o sentido de "Louras Geladas". "Revoluções por minuto", "Cruz e a espada" e a "Olhar 43" são outras que destaco desse LP de estreia da banda.
Todas as 11 músicas do "Revoluções por Minuto" que são:
"Rádio Pirata", "Olhar 43", "A Cruz e a Espada", "Estação do Inferno", "A Fúria do Sexo Frágil Contra o Dragão da Maldade", "Louras Geladas", "Liberdade/Guerra Fria", "Sob a Luz do Sol", "Juvenília", "Pr'esse Vício" e a faixa título "Revoluções por Minuto" estão no youtube. Mas prefiro o bom e velho vinil. Pegar o disco, ver e admirar a capa e o encarte, sentir a música de maneira pura.

O "Revoluções por Minuto" foi um marco na história do cenário musical brasileiro. Merece mais atenção.
(continua)

quarta-feira, 2 de março de 2016

U2 foi POP

O U2, geralmente, escolhe o mês de março para lançar seus álbuns. Isso contribui para eu ter grandes lembranças nesse mês.
No dia dois de março de 1997, eu estava vivendo a expectativa do lançamento do "POP" o CD mais "estranho" do U2. Lembro que os dias seguintes foram recheados de especiais do U2 na rádio Transámerica (Rock Review - especial U2) e na MTV (Dossiê U2), e a Showbizz passou quase 6 meses falando desse lançamento.
O Correio Braziliense desse dia (2/3/1997) escreveu uma matéria sobre o novo trabalho do U2 dividindo espaço com outra: o primeiro aniversário da morte dos Mamonas Assassinas (escrevi sobre eles em janeiro).
Muito se falou e pouco se confirmou sobre esse trabalho do U2. Uns diziam que o U2 não faria mais discos de Rock, as músicas do POP eram dançantes e perfeitas para pistas de dança... Não! Não foi isso.
Nessa época, eu já trabalhava, e eu deixava de comprar os livros da escola, só para ter os LP's/CD's do U2, a-ha, Tears for fears, "Pamaralamas", Legião e outros. E o preço do POP, em 1997, é o mesmo de hoje: R$19,90, nas Americanas.
O primeiro vídeoclip do POP foi "Discothèque". Hoje mais maduro, percebo que, esse vídeo, foi um dos piores momentos do grupo. A sonoridade e as imagens da banda na fotografia do clip não combinam com a "vaiper" U2. Essa música entrou na minha memória afetiva e em todas as festas que eu faço, ela toca! Putz! Aquela dancinha a la Village People no final do clip é ridícula.
Para mim, a pior música da carreira do U2 está nesse CD: "Wake Up Dead Man". O Bono preguiçoso para cantar e os acordes da banda totalmente inseguros no que estavam tocando.
Digo que o POP tem muita coisa boa: uma delas "If God will send his angels" que teve o vídeo lançado em dezembro/97 e faz lembrar o meu Natal desse ano. Além de a música fazer parte da trilha do filme "Cidade dos Anjos".
A "Gone" e a "Last Night on earth" são as provas que o U2 não abandonou o Rock. "Miami" e "The Playboy Mansion" fazem lembrar o U2 dos anos 1980"s e a sua admiração ao estilo "American way of life".
A balada "Staring at the sun" é a melhor música do disco! Se eu for fazer um top 10 das minhas preferidas do U2, ela estará lá. Não sei em qual posição, mas estará nessa lista.
"Staring at the sun" faz eu lembrar de muitas coisas que vivi naquele ano. Outra música do U2 que está tatuada na minha caixa chamada "memória afetiva".
POP é o pior (menos bom) disco do U2. Minha opinião comunga com a ideia da banda. Nas duas últimas turnês (Vertigo e 360º) os setlists dos shows do grupo quase não traziam músicas desse disco. Mesmo sendo o pior trabalho do U2, ele não perde importância na história da banda nem na minha história revolucionária adolescente.