sábado, 5 de março de 2016

RPM: 30 anos do estouro - parte II

Quando o RPM contratou o Ney Matogrosso para ser o diretor artístico da banda, a imagem do quarteto mudou. Foi curto e grosso: “Isso o que estão fazendo não é show, é execução de músicas ao vivo!”, “Vocês não preparam de forma coerente a programação das músicas.”; “Precisam de músicas mais lentas”.
O primeiro LP deles foi lançado em 1985. Para show, o repertório artístico era limitado: 11 músicas. Bancavam covers do Pink Floyd, do David Bowie e do The Doors para dar liga às apresentações.
Paulo Ricardo, Luís Schiavon, Fernando Deluque e o PA seguiram todas as instruções do Ney. E colocaram no Repertório a “London, London” do Caetano Veloso.
Antes de formar o RPM, Paulo Ricardo era crítico musical da editora SomTrês e trabalhava em Londres. Ele se identificava com a letra da música. Ela o fazia lembrar o tempo em que trabalhava na terra da Rainha.
As apresentações do RPM, dirigidas por Ney Matogrosso, deram o que falar. "Locutores de rádio" portando walkmans gravavam as músicas inéditas da banda e as executavam nas rádios. Isso fez com que a “London, London” ficasse conhecida e em primeiro lugar nas paradas. Daí vem uma situação inusitada na história da música mundial. Ter uma música em 1º lugar, mas não havia gravação oficial em LP/K7!
A música “London. London” do RPM faz eu recordar as tardes em que eu ficava sozinho em casa com a minha mãe. Minha irmã ia para a escola e eu, fora da idade escolar, tinha que brincar sozinho na garagem da minha casa. Indiretamente ouvia “London, London”. Sempre havia um vizinho que ouvia essa música do RPM com o volume nas alturas.
Com jabá, as rádios executam 30 vezes por semana uma música na frequência FM. Sem o Jabá, a "London, London" passava das 70 execuções semanais. Como moneytizar isso? Gravar um LP ao vivo. Até então ninguém na história da música havia gravado um LP ao vivo após o LP de estréia...
Continua

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