Contra as regras do mercado fonográfico, Paulo Ricardo & cia, surpresos com o sucesso "pirateado" da "London, London", gravaram no Anhembi o primeiro disco ao vivo do RPM.
Convidaram Marco Mazzola para ser o produtor. Bem, o disco tem uma sonoridade tão limpinha que parece ter sido gravado em estúdio.
Por onde o RPM ia, causava alvoroços. No áudio do LP quase não se ouve frissons, gritos estéricos, choros nervosos do público feminino. Meninas se acotovelavam, nas apresentações do RPM, para ver o Paulo Ricardo e, geralmente, precisavam de atendimento médico, pois desmaiavam.
Em 1986, a banda lança o "Rádio Pirata - ao vivo". Não sei se foi jogada de marketing. O RPM, nessa época, tinha um grande hit: Rádio Pirata. Várias rádios pirateavam músicas deles, gravando-as durante os shows da banda e disponibilizando-as nas FM's. Se foi um mero trocadilho, foi bem articulado.
O LP/K7 foi composto por grandes sucessos da banda e três músicas inéditas: "Flores Astrais" dos Secos e Molhados, a instrumental "Naja" e a arrasa quarteirão "Alvorada Voraz".
Em 1986, o cenário econômico demandava austeridade (Alguma semelhança com 2015/2016?). Essa situação não impediu de esse LP ser o mais vendido da história fonográfica brasileira. Para mim, isso não é "juris et de jure". Há controvérsias. Há quem diga que o disco vendeu 2,5 milhões de cópias; 3,5 milhões; 4 milhões.
A Xuxa, por exemplo, oficialmente, vendeu mais 3 milhões de cópias do "Terxeiro Xou da Xuxa". O fato é: o RPM é a única banda nacional que vendeu mais de 2,5 milhões de cópias de um disco.
Esse fato causou desconforto em uma certa banda de Brasília: Legião Urbana. Eles estavam se preparando para lançar um LP duplo e veio a fatídica notícia da indústria fonográfica: Não tem onde (gráficas) e nem material (vinil e fitas cromos) para fazer esse projeto.
O mercado fonográfico estava sob o RPM. O "Rádio Pirata" teve que ser prensado aqui e até na Argentina. O LP vendia como água e os fãs do RPM se multiplicavam como coelhos.
Isso não seria problema atualmente. Hoje são poucas as pessoas que compram LP/CD. Para muitos, música virou arquivo de computador, celular e pen-drive.
Para mim, não ter esse LP duplo da Legião foi bom. A banda lançou o "Dois" em 1986 e as músicas que não puderam ser lançadas nesse LP, foram lançadas em 1987 no LP "Que país é este". O sucesso de "Faroeste Caboclo" seria ofuscado pelas músicas do Paulo Ricardo (ops!) do RPM, com certeza.
O assustador sucesso desse disco ao vivo do RPM causou vários atritos entre o Paulo Ricardo e o Luiz Schiavon. O Tecladista era o faz-tudo da banda, porém a mídia queria o rosto e o corpo do vocalista/baixista. Caetano Veloso amava os ombros do Paulo Ricardo.
(Continua)


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